Yoga theory applied

Application and adaptation of yoga techniques and philosophy

Viniyoga - Yoga partindo do ponto em que cada um se encontra

 O yoga é um estado de perfeita serenidade, associada a perfeita lucidez. Por extensão, dá-se o mesmo nome a um conjunto de técnicas, que incluem exercícios físicos, certas formas de respiração, concentração e meditação, com o objetivo de ajudar a pessoa a se aproximar desse estado de yoga.

 As pessoas são todas diferentes umas das outras. Cada pessoa é única. Aquilo que é bom para um, pode não o ser para o outro. As técnicas do yoga são excelentes, são poderosas. Tiramos o máximo partido delas se forem aplicadas à especificidade de cada um, no momento em que se encontra.

Quando se transmite o yoga há que ter em conta a pessoa com quem se está a trabalhar. O que lhe oferecemos deve ser cuidadosamente construído para essa pessoa e não será aplicado à priori a outra, porque a outra será diferente, nem será sempre a mesma coisa, porque a pessoa muda com o tempo, com as estações, com a sua atividade. A este cuidado na aplicação das técnicas do yoga chama-se Viniyoga. Esta forma de ensinar foi transmitida pelo professor Krishnamacharya ao seu filho Desikachar e posteriormente a vários professores ocidentais, entre eles Peter Hersnack e Claude Maréchal.

 

 Em Portugal, a continuação da transmissão desta forma de ensinar o Yoga é assegurada pelos professores da Associação Portuguesa de Viniyoga.


«O espírito de Viniyoga é partir de aqui, de onde nos encontramos. Uma vez que cada um é diferente e muda de tempos a tempos, não pode haver ponto de partida comum e as respostas feitas não servem de nada. É necessário examinar a situação atual e pôr em causa o estatuto habitualmente aceite.»

TVK Desikachar

Algumas palavras sobre o criador do Viniyoga

Krishnamacharya por altura da celebração do seu 100º aniversário.  

 

 Krishnamacharya nasceu em Agosto de 1888. Descendente de grandes devotos e do próprio Nâthamuni - conhecido santo do sul da Índia, no século IX, autor do «Yoga Ragarahasya» -, tudo indicava que o futuro lhe reservava algo de especial.

 Muito novo começou a frequentar o Instituto de Sânscrito de Mysore e aos 18 anos partiu para Benares onde aprendeu «certos segredos» da gramática sânscrita. Voltou para Mysore onde durante três anos aprendeu a filosofia do Vedanta. Voltou a partir para Benares onde encontrou um sábio - Shri Vamacharana Bhattâcharya - que lhe ensinou filosofia e lhe deu conselhos para orientar a sua vida. A seguir encontrou um santo errante que o levou a estudar certos aspetos do yoga com um asceta conhecido - Shri Babu Bhagavan Dâs - e a apresentar-se para um exame de filosofia do Samkhya, na Universidade de Patna. Foi depois disso que seguindo um conselho do seu professor, partiu para os Himalaias, até às faldas do monte Kailash, montanha mística considerada como morada de Shiva e eixo do universo. Foi aí que teve o encontro mais decisivo da sua vida: o maior dos sábios do yoga, em filosofia, prática e terapia - Shri Râmamohan Brahmachâri, junto de quem viveu durante sete anos.

Daqui para a frente a sua vida estava traçada. Seguindo um voto exigido pelo seu guru, ele devia deixar os Himalaias, constituir família, ensinar e divulgar o Yoga, mas nunca utilizar profissionalmente os seus conhecimentos ou os diplomas recebidos das outras ciências que ele tinha estudado. Foi assim que, depois de muitos outros episódios, ele acabou por se instalar em Madras, nos anos 50, onde tratou pessoas muito conhecidas na altura. Foram alunos dele TKV Desikachar, seu filho e seguidor dentro do espírito Viniyoga, Indira Devi, a primeira aluna americana de Krishnamacharya, B.K.S Iyengar, seu discípulo e também cunhado, A. G. Mohan e Pattabhi Jois, entre muitos outros.

Krishnamacharya falava sete línguas, sendo uma delas o sânscrito! Divertia-se a dizer no início de uma aula, por exemplo: «Today Sanskrit» e depois durante algumas horas dava a sua aula em sânscrito.

Foram-lhe atribuídos vários títulos: «Instrutor de Mimansa», da Universidade de Calcutá, «Mestre de Lógica», da Universidade de Benares, «Bem-aventurado da Lógica», da universidade de Navadvîpa, «Mestre da Palavra em Vedanta», da Universidade de Baroda, «Diadema do Sâmkhyayoga», da Universidade de Patna, «Sábio em Mimansa», da Universidade de Mysore, «Leão do Vedanta», da universidade de Mysore! Na Índia, nessa altura faziam-se «combates» verbais, com alguém que observava e depois decidia quem era o vencedor. Os Veda comparam estes debates a verdadeiras atividades guerreiras, para derrotar o falso e fazer vencer o verdadeiro. Krishnamacharya, vencedor de inúmeros destes combates, dizia, rindo, que podia provar tudo e também o contrário.